
Celestino IV, nascido Goffredo Castiglioni (ou Castiti-Glioni) por volta de 1180, em Milão, foi o 179º papa da Igreja Católica, protagonista de um dos pontificados mais breves da história. Pertencia a uma família nobre milanesa e era sobrinho do papa Urbano III. Abraçou a vida religiosa na Ordem Cisterciense, na abadia de Altacomba, na Saboia, onde chegou a escrever uma história do Reino da Escócia. Demonstrou talento para a administração eclesiástica, o que lhe rendeu, em 1227, o título de cardeal-presbítero de São Marcos, e em 1228 foi encarregado de introduzir a Inquisição em Milão. Anos depois, tornou-se cardeal-bispo de Sabina.Sua eleição ocorreu em outubro de 1241, em um contexto de forte tensão entre o papado e o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Frederico II, que havia sido excomungado pelo papa anterior, Gregório IX. O imperador controlava os arredores de Roma e chegara a aprisionar dois cardeais, reduzindo a apenas dez os eleitores disponíveis para o conclave — o primeiro da história a ser realizado nesses moldes, sob condições extremamente precárias, com os cardeais confinados e pressionados pelo senador de Roma. Goffredo Castiglioni foi eleito em 25 de outubro de 1241, adotando o nome de Celestino IV.Contudo, já enfermo no momento da eleição, faleceu apenas cerca de duas a três semanas depois, em 10 de novembro de 1241, sem sequer ter sido formalmente consagrado como bispo de Roma — o que levou alguns estudiosos a questionar se seu pontificado teve, de fato, validade plena, já que morreu sem os símbolos e selos pontifícios. Alguns cronistas medievais, como os "Gesta Treverorum", chegaram a sugerir que teria sido envenenado, embora isso não seja historicamente comprovado.Por sua brevidade, seu pontificado não deixou atos de governo significativos. Seu principal legado histórico está justamente no processo que o elegeu, marcado pela crise entre a Igreja e o Império, e nas consequências que se seguiram: após sua morte, a Sé Apostólica permaneceu vacante por quase dois anos, já que os cardeais restantes temiam repetir a experiência do conclave anterior sob pressão imperial. Foi sepultado na antiga Basílica de São Pedro, no Vaticano, embora sua sepultura tenha se perdido ao longo dos séculos. Seu breve pontificado é lembrado como um símbolo da turbulência que marcou as relações entre o papado e o poder temporal no século XIII.