Papa Urbano II
Nome Completo
Oddone di Lagery
Nascimento
1042 - Lagery
Falecimento
29/07/1099 - Roma
Papado
1088-1099
Brasão Papal
* O primeiro brasão que se tem evidência foi no ano de 1191 (Papa Celestino III).

Oddone nasceu em Lagery, na região da Champagne, França, oriundo de família nobre local. Recebeu educação em Reims, onde se tornou clérigo e destacou-se sob a tutela de Santo Bruno de Colônia, futuro fundador da Ordem Cartuxa. Ingressou posteriormente na Ordem Beneditina na célebre Abadia de Cluny, importante centro da reforma monástica europeia que buscava restaurar a pureza espiritual e a independência da Igreja frente ao poder feudal secular, tornando-se prior daquela influente comunidade religiosa.

Requisitado a Roma pelo papa Gregório VII, foi nomeado cardeal-bispo de Óstia e, em 1084, enviado como legado papal à Alemanha, missão que o colocou no centro da intensa disputa político-religiosa então travada entre o papado e o imperador Henrique IV — conflito que já havia resultado na eleição, por parte do imperador, do antipapa Clemente III (Guiberto de Ravena). Essa experiência direta no epicentro da Querela das Investiduras revelou-se decisiva para sua formação como futuro pontífice, dotando-o de habilidade diplomática refinada e de firme compromisso com os ideais da reforma gregoriana.

Após a morte de Gregório VII e o breve e conturbado pontificado de Vítor III, os cardeais reunidos em um pequeno concílio em Terracina elegeram Odon papa por unanimidade em 12 de março de 1088 — eleição para a qual, segundo a tradição, tanto Gregório VII quanto Vítor III o haviam recomendado antes de morrer. Adotou o nome de Urbano II, dando continuidade firme às reformas de seu grande predecessor: reafirmou vigorosamente a proibição da investidura leiga em diversos sínodos, notavelmente em Melfi (1089), condenando repetidamente a simonia, o nicolaísmo e a interferência de poderes seculares nas nomeações eclesiásticas. Diante da hostilidade contínua do imperador Henrique IV, que chegou a tomar Roma em 1092, forçando Urbano II a um exílio temporário, o papa soube construir hábeis alianças políticas, sobretudo com os normandos do sul da Itália, o que lhe permitiu recuperar territórios e, já em 1093, retornar triunfalmente à sua sede.

O momento decisivo e de maior alcance histórico de todo o seu pontificado ocorreu, porém, em 27 de novembro de 1095, ao final do Concílio de Clermont-Ferrand, reunido na França: diante de uma vasta assembleia de bispos, clérigos e nobres, e respondendo a um pedido de socorro militar do imperador bizantino Aleixo Comneno contra o avanço dos turcos seljúcidas, Urbano II proferiu um discurso vibrante e apaixonado, conclamando a cavalaria e o povo cristão do Ocidente a empreender uma expedição armada para libertar Jerusalém e os Lugares Santos do domínio muçulmano, prometendo indulgência plenária a todos os que participassem. O grito de guerra "Deus vult!" (Deus o quer) ecoou rapidamente por toda a Europa, mobilizando entre sessenta mil e cem mil pessoas na expedição que ficaria conhecida como a Primeira Cruzada — evento que redefiniria profundamente as relações entre a cristandade ocidental e o mundo islâmico pelos séculos seguintes, e que consolidou o papado como força política e militar unificadora de toda a Europa cristã.

Urbano II faleceu em Roma, em 29 de julho de 1099, apenas duas semanas após a conquista cristã de Jerusalém pelos exércitos cruzados — notícia que, por conta da lentidão das comunicações da época, não chegou a seu conhecimento antes de sua morte. Foi beatificado pelo papa Leão XIII em 1881.