
São Josemaria Escrivá de Balaguer foi um sacerdote espanhol que dedicou sua vida a recordar uma verdade simples e profundamente evangélica: todos os cristãos são chamados à santidade, não apenas religiosos e sacerdotes. O trabalho, a família, os estudos, as amizades e as pequenas tarefas de cada dia podem tornar-se caminhos de encontro com Deus.Josemaria nasceu em 9 de janeiro de 1902, em Barbastro, na Espanha, numa família profundamente cristã. Desde cedo conheceu também o sofrimento: três de suas irmãs morreram ainda crianças e, posteriormente, os negócios de seu pai enfrentaram graves dificuldades financeiras.Na adolescência, um episódio marcou profundamente sua vida. Durante um inverno rigoroso, viu na neve as pegadas deixadas por um carmelita descalço. Pensou que, se aquele religioso era capaz de fazer tantos sacrifícios por amor a Deus, talvez o Senhor também estivesse lhe pedindo algo. Sentiu nascer sua vocação, embora ainda não compreendesse exatamente qual seria sua missão.Decidiu tornar-se sacerdote. Foi ordenado em 28 de março de 1925 e iniciou seu ministério atendendo comunidades, doentes, pobres e famílias necessitadas.Em 2 de outubro de 1928, durante um retiro espiritual em Madri, aconteceu o momento decisivo de sua missão. Josemaria compreendeu aquilo que acreditava que Deus lhe confiava: recordar aos cristãos que a santidade pode ser encontrada no meio do mundo e nas ocupações comuns da vida. Nascia assim o Opus Dei, expressão latina que significa “Obra de Deus”.Sua mensagem não consistia em abandonar as atividades comuns para encontrar Deus, mas justamente em encontrá-lo dentro delas. Um médico poderia santificar-se cuidando bem de seus pacientes; um trabalhador, realizando honestamente seu ofício; um estudante, estudando com responsabilidade; pais e mães, amando e educando seus filhos.Para São Josemaria, o trabalho realizado com competência, honestidade e amor poderia transformar-se em oração e serviço aos outros. Costumava insistir que a vida cristã é construída também nas “pequenas coisas”: cumprir um dever, tratar alguém com paciência, terminar bem uma tarefa ou oferecer silenciosamente uma dificuldade.No centro dessa vida cotidiana estava, porém, uma profunda união com Cristo. Josemaria cultivava intenso amor pela Eucaristia, pela Confissão, pela oração e pela Sagrada Escritura. Tinha também grande devoção a Nossa Senhora e repetia frequentemente que se chega a Jesus por Maria.Durante a Guerra Civil Espanhola, enfrentou forte perseguição religiosa. Precisou esconder-se e mudar diversas vezes de lugar, continuando clandestinamente seu ministério sacerdotal. Em 1937 conseguiu atravessar os Pireneus e chegar a uma região onde podia exercer novamente o sacerdócio livremente.Nas décadas seguintes, o Opus Dei expandiu-se por diversos países. Josemaria viajou intensamente, encontrando pessoas das mais variadas profissões e condições sociais e incentivando-as a viver o Evangelho no ambiente em que já estavam.Entre seus escritos, destaca-se Caminho, coleção de breves pontos de meditação sobre oração, trabalho, apostolado e vida cristã. Também são conhecidas obras como Sulco, Forja, É Cristo que passa e Amigos de Deus.São Josemaria faleceu repentinamente em 26 de junho de 1975, em Roma. Foi beatificado por São João Paulo II em 1992 e canonizado em 6 de outubro de 2002. Na ocasião, João Paulo II apresentou sua mensagem destacando a vocação universal dos cristãos à santidade.Seu legado pode ser resumido na convicção de que não precisamos esperar circunstâncias extraordinárias para amar a Deus. A santidade começa justamente onde estamos: no trabalho que precisa ser feito, dentro de casa, na universidade, entre amigos, nas alegrias e dificuldades comuns.Assim, São Josemaria recorda que o cotidiano aparentemente simples pode esconder algo extraordinário: um caminho para o Céu.