Papa Alexandre III
Nome Completo
Rolando Bandinelli
Nascimento
1100 - Siena
Falecimento
30/08/1181 - Civita Castellana
Papado
1159-1181
Brasão Papal
* O primeiro brasão que se tem evidência foi no ano de 1191 (Papa Celestino III).

Rolando Bandinelli (também grafado Orlando Bandinelli) nasceu em Siena, por volta de 1100, oriundo de ilustre família da cidade, os Bandinelli Paparoni. Tornou-se professor de Direito Canônico em Bolonha, onde adquiriu grande reputação como canonista, autor da "Summa Magistri Rolandi", comentário sobre o "Decretum Gratiani", e também escreveu "Sentenças" baseadas na "Introductio ad Theologiam" de Pedro Abelardo — revelando-se, assim, teólogo e jurista de primeira grandeza. Foi ordenado decano de São Cosme e Damião em 1150 e, pouco depois, cardeal de São Marcos, tornando-se chanceler e núncio apostólico de confiança do papa Adriano IV.

Após a morte de Adriano IV, em 1159, o conclave se dividiu: a maioria dos cardeais elegeu Bandinelli em 7 de setembro daquele ano, mas uma minoria, favorável aos interesses do imperador Frederico Barba-Ruiva, elegeu o cardeal Otaviano de Monticelli, que adotou o nome de Vítor IV. Bandinelli, consagrado em Ninfa a 20 de setembro, adotou o nome de Alexandre III, tornando-se assim o primeiro de uma longa série de papas com formação jurídica. O imperador, buscando arbitrar a disputa em seu próprio benefício, convocou uma assembleia em Pávia, em fevereiro de 1160, na qual — não surpreendentemente — declarou legítimo seu candidato Vítor IV. Alexandre III recusou-se a se submeter a esse tribunal parcial e, de Anagni, excomungou solenemente o imperador, liberando seus súditos do juramento de lealdade — dando início a um cisma que se prolongaria por quase vinte anos, com três antipapas sucessivos sustentados pelo poder imperial.

Esse cisma revelou-se, ao final, muito mais desastroso para o Império do que para o próprio papado: apoiado pelos lombardos — que chegaram a fundar uma cidade em sua homenagem, batizada Alexandria — e por Guilherme da Sicília, Alexandre III conseguiu entrar triunfalmente em Roma em 1166, embora tenha sido novamente forçado ao exílio quando Barba-Ruiva invadiu a cidade. A derrota decisiva do imperador na Batalha de Legnano, em 1176, por forças da Liga Lombarda, selou o desfecho do conflito: em 1177, em Veneza, Frederico Barba-Ruiva submeteu-se incondicionalmente, reconhecendo Alexandre III como papa legítimo, e o pontífice retornou a Roma em triunfo completo em março de 1178.

Seu pontificado também é lembrado por episódios de grande repercussão internacional: impôs severa penitência ao rei Henrique II da Inglaterra pelo assassinato do arcebispo Tomás Becket, em 1172, e reconheceu formalmente Afonso Henriques como rei de Portugal, consolidando a independência do reino perante a coroa de Leão e Castela. Como ápice e celebração final do triunfo sobre o cisma, convocou e presidiu, em 1179, o III Concílio de Latrão, reunindo mais de trezentos bispos, no qual promulgou o decreto histórico que instituiu a exigência de maioria de dois terços dos votos cardinalícios para a eleição papal — regra que, com adaptações, permanece em vigor até os dias de hoje.

Passou seus últimos dois anos de vida em diversas localidades dos Estados Pontifícios, devido a nova hostilidade da comuna romana, e faleceu em Civita Castellana, em 30 de agosto de 1181.