
Giovanni Maria Ciocchi del Monte nasceu em 10 de setembro de 1487, filho de uma respeitada família de juristas. Educado pelo humanista Raffaele Brandolini, cursou Direito Civil e Canônico nas Universidades de Perúgia e Siena, destacando-se como hábil canonista. Sua carreira eclesiástica foi impulsionada pelo tio, o cardeal Antonio Maria Ciocchi del Monte, a quem sucedeu como arcebispo de Siponto (Manfredonia) em 1513; posteriormente, acumulou o bispado de Pavia e o cargo de governador de Roma, exercido em duas ocasiões distintas. Foi criado cardeal durante o pontificado de Paulo III e desempenhou papel de destaque como legado papal e presidente do recém-convocado Concílio de Trento.Após a morte de Paulo III, em 1549, um conclave particularmente longo e disputado — que durou cerca de dez semanas, marcado pela acirrada rivalidade entre facções francesa e imperial, e no qual o cardeal inglês Reginald Pole chegou a perder a eleição por apenas um voto — resultou, em 7 de fevereiro de 1550, na escolha de del Monte como candidato de compromisso. Como fora camerlengo sob o papa Júlio II, adotou o nome de Júlio III em sua homenagem.Seu pontificado deu continuidade formal ao trabalho de reforma iniciado por seu antecessor: reabriu os trabalhos do Concílio de Trento em 1551, embora tenha sido forçado a suspendê-lo novamente já em 1552, em razão da instabilidade política provocada pela guerra pela posse do Ducado de Parma, que o opôs a Otávio Farnese, aliado do rei francês Henrique II, e pela revolta de príncipes alemães protestantes contra o imperador Carlos V. Confirmou formalmente os estatutos da Companhia de Jesus e confiou aos jesuítas a direção do Colégio Romano e do Colégio Germânico, instituições voltadas à formação de sacerdotes destinados a atuar em regiões afetadas pela Reforma Protestante. Também empreendeu esforços diplomáticos para reconduzir a Inglaterra ao catolicismo, estabelecendo relações com a rainha Maria Tudor, e celebrou o décimo Jubileu da Igreja em 1550.Contudo, seu governo é lembrado, sobretudo pela historiografia posterior, por um forte contraste entre o rigor esperado de um pontífice em plena Contrarreforma e sua conduta pessoa. Também mandou construir a elegante Villa Giulia, e nomeou o compositor Giovanni Pierluigi da Palestrina diretor da capela musical de São Pedro, em 1551, artista que lhe dedicaria, anos depois, seu primeiro livro de missas. Faleceu em Roma, em 23 de março de 1555.