
Guido di Castello (também referido como Guido del Castello ou Goffredo di Castiglione) nasceu na região da Toscana romana, na localidade de Città di Castello, filho de Niccolò di Castello, pertencente à nobre família ternana dei Castelli. Destacou-se desde jovem por sua notável erudição, sendo discípulo direto do célebre filósofo e teólogo Pedro Abelardo, com quem manteve amizade duradoura mesmo após a condenação deste no Concílio de Sens, em 1140 — relação intelectual que também o aproximou de Arnaldo de Bréscia, colega de estudos sob o mesmo mestre. Essa ligação pessoal com Abelardo e, sobretudo, a proteção que posteriormente dispensou a Arnaldo de Bréscia geraram forte desagrado por parte de São Bernardo de Claraval, que via em ambas as figuras representantes de um pensamento teológico considerado perigosamente inovador.Foi nomeado cardeal-diácono em 1127 (ou 1128-29) pelo papa Honório II, e participou do conclave que elegeu Inocêncio II, em 1130. A partir de 1140, atuou como legado pontifício de Inocêncio II na França, missão que lhe permitiu aprofundar seus contatos intelectuais e desempenhar papel de pacificador entre as correntes mais tradicionalistas e mais inovadoras então em disputa no seio da Igreja.Após a morte de Inocêncio II, em setembro de 1143, foi eleito papa em 26 de setembro daquele ano, adotando o nome de Celestino II — tornando-se, notavelmente, o primeiro pontífice a figurar na célebre lista das Profecias de São Malaquias, na qual é identificado pela expressão latina "Ex castro Tiberis" ("Do castelo do Tibre"), referência direta a seu local de nascimento. Foi consagrado em 3 de outubro de 1143, na presença da alta nobreza romana, em cerimônia que, notavelmente, transcorreu de forma exclusivamente religiosa, sem as tensões políticas que haviam marcado eleições anteriores.O ato de maior relevância histórica de seu breve pontificado — que durou apenas cerca de cinco meses e doze dias — foi a revogação, graças à intercessão pessoal de São Bernardo de Claraval, do interdito que seu antecessor Inocêncio II havia lançado sobre todo o reino da França, em decorrência da oposição do rei Luís VII à eleição de um candidato ao arcebispado de Bourges que não fosse de sua preferência — gesto de reconciliação diplomática que restabeleceu a paz religiosa naquele importante reino europeu.Celestino II faleceu em Roma, em 8 de março de 1144, às vésperas de um grave conflito iminente com o rei Rogério II da Sicília a respeito das prerrogativas deste como legado apostólico — disputa que, por conta de sua morte prematura, ficaria a cargo de seu sucessor, Lúcio II, resolver.