
Gerardo Caccianemici (também referido como Gherardo Caccianemici dall'Orso) nasceu em Bolonha, filho de Orso Caccianemici. Foi cônego regular em Bolonha até ser nomeado cardeal da Santa Cruz de Jerusalém pelo papa Honório II, para quem serviu inicialmente como tesoureiro e, posteriormente, como legado papal na Alemanha — cargo que também exerceu sob o pontificado de Inocêncio II, conseguindo êxito notável ao convencer o rei Lotário III da Saxônia a enviar duas expedições militares à Itália em apoio ao papa legítimo em seu confronto contra o antipapa Anacleto II. Sua longa e destacada trajetória como chanceler da Igreja Romana e colaborador direto de dois pontífices sucessivos evidenciava seu peso e influência dentro da Cúria.Após a morte de Celestino II, em março de 1144, apenas cinco meses após sua eleição — pontificado breve que não conseguira recuperar o controle total da cidade de Roma, então agitada pelo movimento comunal, nem resolver as exigências do rei Rogério II da Sicília —, os cardeais reunidos em Roma elegeram Caccianemici seu sucessor, em 12 de março daquele ano. Como era chanceler da Santa Sé e colaborador próximo tanto de Inocêncio II quanto de Celestino II, presume-se que os cardeais desejassem dar continuidade à política então vigente, de amizade com o Império e hostilidade ao rei normando da Sicília. Adotou o nome de Lúcio II, sendo consagrado em 12 de março de 1144.O fato mais determinante de seu curto pontificado foi o confronto direto e fatal com o movimento comunal liderado por Arnaldo de Bréscia, que pretendia transferir o poder civil de Roma do papa para o povo romano, revivendo o antigo lema republicano "Senatus Populusque Romanus" (SPQR) tanto em edifícios quanto em moedas — um desafio explícito à autoridade temporal papal sobre sua própria capital histórica. Diante dessa insurreição, Lúcio II buscou em vão o apoio do imperador Conrado III, e, sem alternativas, decidiu enfrentar sozinho, com um pequeno exército próprio, o poder crescente do Senado rebelde recém-restaurado por Giordano Pierleoni.Em 31 de janeiro de 1145, entregou a fortaleza do Circo Máximo à família Frangipani, permitindo-lhes controle total sobre a parte sul da colina do Palatino, numa tentativa de reforçar sua posição contra os insurgentes. O Fórum Romano havia se transformado em verdadeiro campo de batalha, e a confusão gerada impediu até mesmo que Lúcio II viajasse ao Monte Aventino para ser ordenado abade de São Saba, cerimônia planejada para 20 de janeiro de 1145.Por fim, o papa marchou pessoalmente contra as posições senatoriais fortificadas no Capitólio à frente de seu pequeno exército; segundo o cronista Godofredo de Viterbo, foi gravemente ferido durante essa batalha, atingido por uma pedra arremessada pelos defensores. Jamais se recuperou dos ferimentos, falecendo em 25 de fevereiro de 1145, no mosteiro de São Gregório Magno ao Célio, sob a proteção da vizinha fortaleza dos Frangipani.