Papa Urbano III
Nome Completo
Uberto Crivelli
Nascimento
1120 - Cuggiono
Falecimento
20/10/1187 - Verona
Papado
1185-1187
Brasão Papal
* O primeiro brasão que se tem evidência foi no ano de 1191 (Papa Celestino III).

Uberto Crivelli nasceu em Cuggiono, perto de Milão, por volta de 1120, filho de Guala Crivelli, pertencente à nobre família milanesa dos Crivelli — família que, ao contrário de tradições populares sem fundamento histórico comprovado, não tinha parentesco direto com o futuro papa Celestino IV. Estudou em Bolonha e foi elevado a cardeal-presbítero de São Lourenço in Lucina em 1173 pelo papa Alexandre III, e nomeado arcebispo de Milão em 1185 pelo papa Lúcio III.

Sua nomeação para Milão coincidiu com um momento de particular animosidade pessoal em relação ao imperador Frederico Barba-Ruiva: durante o brutal saque de Milão em 1162, vários parentes de Crivelli haviam sido proscritos ou mutilados pelas forças imperiais — episódio que deixou marca profunda e duradoura em sua relação com a coroa germânica. Após a morte de Lúcio III, em Verona, em 25 de novembro de 1185, o Colégio Cardinalício, temendo interferência imperial no processo eleitoral, elegeu Crivelli papa no mesmo dia de seu falecimento, com consagração realizada em 1º de dezembro. Adotou o nome de Urbano III.

Herdando de seu antecessor a inimizade com Barba-Ruiva, e agravado por essa história pessoal de perseguição familiar, Urbano III conduziu pontificado de apenas dois anos, quase inteiramente absorvido pelo conflito com o imperador. A tensão se acentuou quando, em agosto de 1185, chegou ao norte da Itália Constança, herdeira do Reino da Sicília, prometida em casamento a Henrique, filho de Barba-Ruiva — união que ameaçava consolidar perigosamente o poder imperial sobre território reivindicado pela influência papal. Diante da resistência do papa em ceder direitos sobre nomeações episcopais — incluindo a disputada sé de Trier —, o imperador reagiu bloqueando as passagens alpinas, cortando comunicações entre Urbano III e seus apoiadores alemães, e enviando seu filho Henrique para invadir os Estados Pontifícios em nome do Sacro Império.

Impossibilitado de entrar em Roma, controlada pelas forças hostis do imperador, Urbano III permaneceu baseado em Verona. Buscando apoio junto ao episcopado alemão, viu suas esperanças frustradas na Dieta de Gelnhausen (1187), onde os próprios bispos alemães, pressionados por Barba-Ruiva, enviaram cartas instando o papa a fazer justiça ao imperador. Urbano III respondeu convocando o imperador a comparecer perante seu tribunal em Verona, e chegou a preparar sua excomunhão — mas os próprios veroneses, temendo represálias imperiais, opuseram-se a que tal ato fosse proclamado dentro dos muros da cidade, forçando o papa a se retirar para Ferrara.

Segundo relato de cronistas medievais como Ernoul e Benedito de Peterborough, Urbano III teria falecido de choque e profundo pesar ao receber a notícia da desastrosa derrota cristã na Batalha de Hattin, em julho de 1187 — embora estudiosos posteriores, como Guilherme de Newburgh, tenham demonstrado que a notícia dessa derrota provavelmente só chegou à Santa Sé após sua morte, tornando essa tradição historicamente incerta. Faleceu em Ferrara, em 20 de outubro de 1187, a caminho de Veneza, onde planejava finalmente excomungar Frederico Barba-Ruiva.