Papa Vítor III
Nome Completo
Dauferio Epifani Del Zotto
Nascimento
1027 - Benevento
Falecimento
16/09/1087 - Monte Cassino
Papado
1086-1087
Brasão Papal
* O primeiro brasão que se tem evidência foi no ano de 1191 (Papa Celestino III).

Dauferio Epifani (também conhecido por seu nome monástico, Desidério) nasceu em Benevento, filho do príncipe Landolfo V de Benevento, morto em combate contra os normandos, pertencente à nobre linhagem lombarda dos Epifânios. Ainda jovem, contrariando os planos familiares de um casamento arranjado, buscou refúgio na vida religiosa, ingressando na Ordem Beneditina no mosteiro de Santa Sofia, em Benevento, aos vinte anos de idade, adotando então o nome monástico de Desidério. Após um encontro decisivo com o papa Vítor II, transferiu-se em 1055 para a abadia de Montecassino, um dos mais prestigiosos centros monásticos da cristandade, onde, três anos depois, foi eleito abade — sucedendo, curiosamente, ao próprio papa Estêvão IX, que também havia sido abade daquela casa antes de sua elevação ao papado.

Sob sua liderança, Montecassino viveu o que a historiografia posterior reconhece como sua "idade de ouro": Desidério promoveu ativamente o desenvolvimento da escrita e da iluminação de manuscritos, fundou uma renomada escola de mosaico e reconstruiu radicalmente a arquitetura da abadia, obra hoje considerada um marco significativo na história da arquitetura italiana medieval. O papa Nicolau II o elevou a cardeal-presbítero de Santa Cecília em 1059, e, nesse mesmo ano, Desidério desempenhou papel fundamental na histórica aliança entre o papado e os normandos, selada solenemente no concílio de Melfi — pacto que garantiria proteção militar decisiva à Santa Sé nas décadas seguintes. Atuou como colaborador próximo e frequente dos papas Nicolau II, Alexandre II e, especialmente, Gregório VII, exercendo também o cargo de vigário papal para todos os mosteiros do sul da Itália e negociando pessoalmente a paz entre a Santa Sé e o poderoso normando Roberto Guiscardo.

Quando Gregório VII faleceu, em maio de 1085, havia indicado Desidério como uma das três pessoas de sua preferência para sucedê-lo; ainda assim, diante da profunda instabilidade política gerada pela ocupação de Roma por forças leais ao antipapa Clemente III (Guiberto de Ravena), aliado do imperador Henrique IV, o trono papal permaneceu vago por quase um ano inteiro. Somente em 24 de maio de 1086, os cardeais proclamaram Desidério papa, ainda que contra sua própria vontade, adotando o nome de Vítor III. Contudo, apenas quatro dias depois, sem desejar responder com força às hostilidades do prefeito imperial de Roma, retirou-se voluntariamente para Montecassino, deixando de lado suas insígnias pontifícias — episódio que evidencia sua natural relutância em relação às responsabilidades políticas do cargo supremo.

Somente após persistente insistência dos demais cardeais, e já sob o Sínodo de Cápua, em março de 1087, Vítor III aceitou finalmente assumir plenamente a autoridade papal, sendo consagrado na Basílica de São Pedro em 9 de maio daquele ano. Contudo, a presença do antipapa Clemente III, sustentado pelo apoio imperial, impediu que permanecesse em Roma por mais do que algumas poucas semanas. Ainda assim, seu breve pontificado registrou um feito militar notável: despachou uma força expedicionária a Túnis, que obteve vitória decisiva contra os sarracenos, obrigando-os a pagar tributo à Santa Sé — episódio pouco lembrado, mas relevante, das relações entre a cristandade e o mundo islâmico do Mediterrâneo naquele período.

Vítor III faleceu em Montecassino, em 16 de setembro de 1087, sendo posteriormente beatificado pelo papa Leão XIII em 1887.