Papa Bento XI
Nome Completo
Nicola Boccasini
Nascimento
01/11/1240 - Treviso
Falecimento
07/07/1304 - Perugia
Papado
1303-1304
Brasão Papal

Nicolau Boccasini nasceu em Treviso, no norte da Itália, em 1240, filho de família muito pobre — sua mãe trabalhava como lavadeira em um convento dominicano, ambiente que despertou precocemente sua vocação religiosa. Ingressou na Ordem dos Dominicanos aos quatorze anos e, após catorze anos de estudos, tornou-se leitor de teologia, cargo que exerceu por diversos anos antes de ser eleito, em 1296, no Capítulo Geral realizado em Estrasburgo, Mestre-Geral da Ordem dos Pregadores. Diante da crescente hostilidade a Bonifácio VIII, emitiu ordenanças proibindo formalmente que os dominicanos questionassem publicamente a legitimidade da eleição papal, e determinou que defendessem essa legitimidade em seus sermões — lealdade que jamais vacilou e que o próprio Bonifácio VIII reconheceria com sucessivas demonstrações de favor e confiança. Elevado a cardeal-presbítero de Santa Sabina em dezembro de 1298, e depois a cardeal-bispo de Óstia em março de 1300, atuou também como legado apostólico na Hungria, então dilacerada por guerra civil, entre 1301 e 1303, e integrou embaixada papal encarregada de negociar armistício entre Eduardo I da Inglaterra e Filipe IV da França.

Foi justamente sua lealdade inabalável a Bonifácio VIII que o colocou no centro de um dos episódios mais dramáticos da história papal: quando o palácio episcopal de Anagni foi invadido em setembro de 1303 por tropas a serviço de Filipe IV, lideradas por Guilherme de Nogaret e aliadas ao senador romano Sciarra Colonna, Boccasini foi um dos únicos dois cardeais que permaneceram ao lado do idoso papa para defendê-lo da violência dos invasores — os dois foram mantidos presos por três dias, até serem libertados por forças leais ao papado. Quando Bonifácio VIII faleceu, poucas semanas depois desse traumático episódio, os cardeais reunidos em conclave em Roma, em 22 de outubro de 1303, elegeram por unanimidade o próprio Boccasini como seu sucessor, reconhecendo seu talento conciliador como o mais indicado para apaziguar o gravíssimo conflito entre o papado e a coroa francesa. Adotou o nome de Bento XI, em homenagem a seu antecessor.

Seu pontificado, embora breve, foi dedicado inteiramente a essa missão de pacificação: rapidamente restaurou relações mais cordiais com a corte francesa, absolvendo o rei Filipe IV das severas censuras eclesiásticas que sobre ele pesavam desde os tempos de Bonifácio VIII. Contudo, foi implacável com Guilherme de Nogaret, o principal executor do atentado de Anagni, a quem excomungou de forma definitiva, recusando-se a estender-lhe qualquer tipo de indulgência. Buscou também, sem êxito duradouro devido à brevidade de seu governo, estabelecer paz com a hostil família Colonna, cuja recusa em aceitar suas propostas de reconciliação, somada a revoltas populares, o obrigou a deixar Roma e buscar refúgio em Perúgia.

Adoeceu subitamente em 29 de julho de 1304 e faleceu apenas nove dias depois, em 7 de julho de 1304 — morte tão repentina que gerou, na instável atmosfera política da época, suspeitas nunca comprovadas de envenenamento. Foi beatificado em 1736 pelo papa Clemente XII. Seu sucessor, Clemente V, jamais viajaria a Roma, dando início ao longo período conhecido como Cativeiro de Avinhão.