Papa Bento XII
Nome Completo
Jacques Fournier
Nascimento
1285 - Saverdun
Falecimento
25/04/1342 - Avinhão
Papado
1334-1342
Brasão Papal

Jacques Fournier nasceu em 1285, em Saverdun, na região de Toulouse, no sul da França, de origem modesta — segundo alguns relatos, filho de um padeiro. Ainda jovem, ingressou como monge cisterciense no mosteiro de Boulbonne, transferindo-se posteriormente para a abadia de Fontfroide, cujo abade era seu tio materno, Arnaldo Novelli. Enviado por este para estudar Teologia na Universidade de Paris, onde obteve o doutorado, sucedeu o próprio tio como abade de Fontfroide quando este foi elevado a cardeal em 1310. Tornou-se bispo de Pamiers em 1317 e, posteriormente, de Mirepoix, destacando-se nesse período por sua atuação como inquisidor rigoroso e minucioso contra a heresia cátara remanescente na região — atividade que ficou tão detalhadamente documentada em seus próprios registros que se tornaria, séculos depois, fonte histórica preciosa para o estudo da vida camponesa medieval. Foi elevado a cardeal pelo papa João XXII em 1327.

Após a morte de João XXII, em 1334, o conclave reunido contava com vinte e quatro cardeais, entre os quais apenas um possuía experiência de eleição papal anterior. Segundo relato histórico, muitos dos problemas doutrinários enfrentados por João XXII em torno da controvérsia da visão beatífica teriam influenciado os cardeais a buscar, desta vez, um teólogo sólido e criterioso para o papado. Na votação de 20 de dezembro de 1334, Fournier obteve, surpreendentemente, mais de sessenta por cento dos votos necessários, muitos cardeais tendo votado nele por acreditarem, equivocadamente, que interpretavam o sentimento geral do conclave — e a candidatura do favorito inicial, o cardeal de Comminges, foi abandonada após este recusar o cargo. Fournier foi consagrado papa em 8 de janeiro, adotando o nome de Bento XII, e ficou conhecido informalmente como "o cardeal branco", em referência ao hábito cisterciense que preservou mesmo após sua elevação ao papado.

Um de seus primeiros e mais importantes atos de governo foi resolver definitivamente a controvérsia teológica deixada por seu antecessor: promulgou, em 29 de janeiro de 1336, a bula dogmática "Benedictus Deus", que definiu formalmente a doutrina tradicional de que as almas dos justos plenamente purificados contemplam a visão direta e imediata de Deus já antes da ressurreição final dos corpos — encerrando de vez a disputa e reafirmando a ortodoxia da Igreja nesse ponto. Reconhecido por seu rigor pessoal e sua firme oposição ao nepotismo — concedeu apenas um único favorecimento familiar, e mesmo assim sob insistência dos próprios cardeais —, Bento XII dedicou-se com afinco à reforma das ordens monásticas, sobretudo a cisterciense, beneditina e agostiniana, buscando restaurar o fervor primitivo e a disciplina originais dessas comunidades religiosas. Também combateu vigorosamente a simonia e a acumulação abusiva de benefícios eclesiásticos, e condenou formalmente os fraticelli, remanescentes radicais do movimento franciscano espiritual.

Embora tenha manifestado desejo inicial de restabelecer a sede papal em Roma, foi persuadido pelos cardeais e pela influência do rei Filipe VI da França de que o retorno a uma Itália então fragmentada por conflitos entre facções seria impraticável; decidiu, assim, permanecer definitivamente em Avinhão, onde, em 1339, deu início à construção do imponente Palácio dos Papas, obra monumental que os sucessores ampliariam consideravelmente. Buscou também, sem êxito duradouro, promover a reunificação entre a Igreja Ortodoxa Oriental e a Igreja Católica, quase três séculos após o Grande Cisma de 1054. Faleceu em Avinhão, em 25 de abril (ou 24 de abril, conforme algumas fontes) de 1342.