
Ottobono Fieschi nasceu em Gênova, por volta de 1210-1220, membro da influente família Fieschi, a mesma que já havia dado à Igreja o papa Inocêncio IV, seu tio, responsável por nomeá-lo cardeal-diácono de Santo Adriano ao Foro em dezembro de 1251. Ao longo de sua carreira eclesiástica, ocupou também o cargo de arquipresbítero da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, e destacou-se sobretudo por sua atuação diplomática.Sua missão mais célebre e duradoura foi como legado papal na Inglaterra, entre 1265 e 1268, enviado pelo papa Clemente IV para mediar o conflito entre o rei Henrique III e os barões rebeldes que, sob a liderança de Simão de Montfort, haviam desafiado a autoridade real. Sua atuação diplomática foi tão significativa que seu nome consta até hoje no Estatuto de Marlborough (1267), um dos mais antigos textos ainda parcialmente vigentes do direito estatutário inglês, como testemunha do acordo de pacificação — resultado que, em certa medida, ajudou a consolidar direitos que mais tarde se tornariam base do parlamentarismo inglês. Durante sua estadia na Inglaterra, também recrutou o futuro rei Eduardo I para participar das Cruzadas.Após a morte do papa Inocêncio V, em junho de 1276, o conclave reunido em Roma elegeu Ottobono Fieschi, sob forte influência de Carlos de Anjou, em 11 de julho de 1276, adotando o nome de Adriano V. Contudo, seu pontificado foi extremamente breve: durou apenas 38 dias, até sua morte natural em Viterbo, em 18 de agosto de 1276. Vale notar uma particularidade canônica relevante: Adriano V nunca chegou a ser ordenado sacerdote nem consagrado bispo, permanecendo apenas diácono durante todo o período em que ocupou o trono papal — situação que, segundo critérios do Direito Canônico atual, não seria admitida, embora sua eleição tenha sido considerada válida segundo as normas vigentes à época.O único ato de governo relevante atribuído a seu curto pontificado foi a revogação, em consistório, da rígida constituição sobre a realização de conclaves estabelecida por seu antecessor Gregório X (a bula ""Ubi periculum"", de 1274), que impunha regras severas de isolamento aos cardeais eleitores para evitar longas sedes vacantes. Adriano V pretendia substituí-la por normas mais brandas, mas faleceu antes de fazê-lo, deixando a questão em aberto — ela só seria oficialmente revogada pela bula ""Licet"" de seu sucessor, o papa João XXI, em setembro de 1276.Adriano V é uma figura conhecida também pela literatura: Dante Alighieri o retrata na ""Divina Comédia"", no Purgatório, entre os que expiam o pecado da avareza, colocando em sua boca uma reflexão sobre o peso e a vaidade do poder papal — episódio que se tornou um dos mais citados quando se fala deste breve e pouco conhecido pontificado medieval.