Papa Dono
Nome Completo
Sem informação
Nascimento
610 - Roma
Falecimento
11/04/678 - Roma
Papado
676-678
Brasão Papal
* O primeiro brasão que se tem evidência foi no ano de 1191 (Papa Celestino III).

Dono nasceu em Roma, filho de um cidadão romano chamado Maurício, em data incerta, já sendo homem de idade avançada no momento de sua elevação ao papado. Após a morte do papa Adeodato II, em junho de 676, seguiu-se um período de vacância de aproximadamente quatro meses e dezessete dias na Sé Apostólica, até que Dono fosse finalmente eleito e consagrado bispo de Roma, em 2 de novembro daquele mesmo ano.

Seu breve pontificado, de pouco menos de um ano e meio, beneficiou-se de uma circunstância relativamente rara para o período: a ausência de conflitos diretos e agudos com o poder imperial bizantino, tensões que haviam pesado severamente sobre o governo de diversos de seus antecessores imediatos, entre eles Martinho I, exilado e morto em cativeiro, e Vitaliano, cuja própria cidade fora saqueada pelas tropas do imperador Constante II. Essa relativa tranquilidade permitiu a Dono dedicar-se com maior liberdade a projetos de embelezamento arquitetônico de Roma, destacando-se o pavimentado com grandes blocos de mármore branco do átrio diante da Basílica de São Pedro. Também restaurou a igreja de Santa Eufêmia, na Via Ápia, e reparou a Basílica de São Paulo Fora dos Muros — ou, segundo hipótese de alguns historiadores modernos, uma pequena igreja na estrada que levava a essa basílica, erguida no local onde, segundo a tradição, os apóstolos Pedro e Paulo teriam se despedido antes de seus respectivos martírios.

O feito de maior relevância eclesiástica de seu pontificado foi conseguir encerrar definitivamente o prolongado cisma de Ravena: o arcebispo Reparato daquela importante sede metropolitana do norte da Itália retornou formalmente à obediência da Santa Sé, pondo fim à disputa iniciada décadas antes pelo arcebispo Mauro, que ambicionava tornar Ravena uma igreja autocéfala, completamente independente da autoridade papal romana — reconciliação que Dono conseguiu consolidar sem necessidade de conflito armado ou confronto político direto, através de habilidosa diplomacia eclesiástica.

Suas relações com Constantinopla tenderam, de modo geral, à conciliação: em 10 de agosto de 678, o imperador Constantino IV dirigiu-se a ele, em correspondência oficial, com o significativo título de ""santíssimo e bendito arcebispo de nossa antiga Roma e papa universal"" — fórmula de reconhecimento e deferência que buscava, ao que tudo indica, atrair o apoio papal para os planos imperiais de convocar novo concílio ecumênico destinado a resolver definitivamente a persistente controvérsia monotelita que já dividia a cristandade havia décadas. Dono também incentivou os bispos de Trier, na Alemanha, e de Cambridge, na Inglaterra, a fortalecerem as escolas eclesiásticas então recém-fundadas em suas respectivas dioceses, contribuindo assim para a expansão da educação cristã nas regiões periféricas da Europa.

Faleceu em Roma, em 11 de abril de 678, sendo sucedido pelo papa Ágato, que herdaria a tarefa de finalmente resolver, no grande Terceiro Concílio de Constantinopla, a antiga questão doutrinária do monotelismo.