
Dono nasceu em Roma, filho de um cidadão romano chamado Maurício, em data incerta, já sendo homem de idade avançada no momento de sua elevação ao papado. Após a morte do papa Adeodato II, em junho de 676, seguiu-se um período de vacância de aproximadamente quatro meses e dezessete dias na Sé Apostólica, até que Dono fosse finalmente eleito e consagrado bispo de Roma, em 2 de novembro daquele mesmo ano.Seu breve pontificado, de pouco menos de um ano e meio, beneficiou-se de uma circunstância relativamente rara para o período: a ausência de conflitos diretos e agudos com o poder imperial bizantino, tensões que haviam pesado severamente sobre o governo de diversos de seus antecessores imediatos, entre eles Martinho I, exilado e morto em cativeiro, e Vitaliano, cuja própria cidade fora saqueada pelas tropas do imperador Constante II. Essa relativa tranquilidade permitiu a Dono dedicar-se com maior liberdade a projetos de embelezamento arquitetônico de Roma, destacando-se o pavimentado com grandes blocos de mármore branco do átrio diante da Basílica de São Pedro. Também restaurou a igreja de Santa Eufêmia, na Via Ápia, e reparou a Basílica de São Paulo Fora dos Muros — ou, segundo hipótese de alguns historiadores modernos, uma pequena igreja na estrada que levava a essa basílica, erguida no local onde, segundo a tradição, os apóstolos Pedro e Paulo teriam se despedido antes de seus respectivos martírios.O feito de maior relevância eclesiástica de seu pontificado foi conseguir encerrar definitivamente o prolongado cisma de Ravena: o arcebispo Reparato daquela importante sede metropolitana do norte da Itália retornou formalmente à obediência da Santa Sé, pondo fim à disputa iniciada décadas antes pelo arcebispo Mauro, que ambicionava tornar Ravena uma igreja autocéfala, completamente independente da autoridade papal romana — reconciliação que Dono conseguiu consolidar sem necessidade de conflito armado ou confronto político direto, através de habilidosa diplomacia eclesiástica.Suas relações com Constantinopla tenderam, de modo geral, à conciliação: em 10 de agosto de 678, o imperador Constantino IV dirigiu-se a ele, em correspondência oficial, com o significativo título de ""santíssimo e bendito arcebispo de nossa antiga Roma e papa universal"" — fórmula de reconhecimento e deferência que buscava, ao que tudo indica, atrair o apoio papal para os planos imperiais de convocar novo concílio ecumênico destinado a resolver definitivamente a persistente controvérsia monotelita que já dividia a cristandade havia décadas. Dono também incentivou os bispos de Trier, na Alemanha, e de Cambridge, na Inglaterra, a fortalecerem as escolas eclesiásticas então recém-fundadas em suas respectivas dioceses, contribuindo assim para a expansão da educação cristã nas regiões periféricas da Europa.Faleceu em Roma, em 11 de abril de 678, sendo sucedido pelo papa Ágato, que herdaria a tarefa de finalmente resolver, no grande Terceiro Concílio de Constantinopla, a antiga questão doutrinária do monotelismo.