
Corrado Demetri della Suburra nasceu em Roma, por volta de 1073, no bairro popular de Suburra, de onde derivou seu sobrenome, filho de um homem do povo chamado Benedetto. Tornou-se clérigo secular e foi criado cardeal-presbítero de Santa Pudenciana pelo papa Pascoal II, o mais tardar em 1114, sendo posteriormente nomeado cardeal-bispo de Sabina, provavelmente em 1126 ou 1127-1128. Desempenhou papel de destaque no contestado cisma papal de 1130, apoiando ativamente a eleição de Inocêncio II contra o antipapa Anacleto II, e serviu como vigário deste em Roma durante os períodos em que o papa legítimo precisou se ausentar para a França e outras regiões, temeroso da hostilidade da facção romana rival. Foi também vigário do papa Eugênio III, sendo amplamente considerado, já àquela altura, como seu sucessor natural no trono de São Pedro.Após a morte de Eugênio III, em julho de 1153, o já idoso Corrado — então decano do Colégio Cardinalício e provavelmente seu membro mais velho, com cerca de oitenta anos — foi eleito papa sem qualquer oposição no mesmo dia da morte de seu antecessor, sendo consagrado em 12 de julho daquele ano. Adotou o nome de Anastácio IV, tornando-se, até hoje, o mais recente papa da história a escolher esse nome pontifício.Seu pontificado, de pouco mais de um ano e meio, transcorreu em meio à extrema agitação da chamada Comuna de Roma, movimento popular liderado pelo agitador religioso Arnaldo de Bréscia, que recusava reconhecer o poder temporal do papa sobre a cidade e defendia um retorno da Igreja à pobreza apostólica primitiva, isenta de posses e domínio político. Diante desse ambiente conturbado, Anastácio IV adotou postura conciliadora e benevolente para com o povo romano, demonstrando notável caridade durante período de fome que assolou a cidade, e mandou construir uma residência papal próxima ao Panteão — monumento antigo que também determinou restaurar.No plano diplomático, deu início a uma cuidadosa aproximação ao jovem rei germânico Frederico Barba-Ruiva, buscando evitar que este se aliasse ao hostil Senado Romano — estratégia que prepararia o terreno para que seu sucessor, Adriano IV, obtivesse mais tarde o apoio imperial decisivo para finalmente esmagar a Comuna de Roma e as pretensões separatistas arnaldistas entre os poderes espiritual e temporal. Demonstrou espírito conciliador também em questões eclesiásticas específicas: confirmou a reintegração de Guilherme Fitzherbert (São Guilherme de York) à sé arquiepiscopal de York, apesar da resistência da influente Ordem Cisterciense, e cedeu, em gesto de aproximação diplomática, à vontade do próprio Frederico Barba-Ruiva quanto à nomeação do bispo de Magdeburgo — questão que já havia gerado atrito sob seu antecessor. Confirmou também os privilégios da Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém, dedicada ao amparo dos peregrinos rumo à Terra Santa.Faleceu em Roma, em 3 de dezembro de 1154, sendo sucedido pelo inglês Adriano IV, único papa britânico da história.