
Rainerio (Ranieri) di Bieda nasceu perto de Ravena, no norte da Itália, oriundo de família humilde da região da Emília-Romanha. Ainda menino, ingressou em um mosteiro — provavelmente uma casa dependente da reforma vallombrosana, e não Cluny, como tradicionalmente se supôs por muito tempo — dedicando-se desde cedo à vida monástica. Tornou-se cardeal-presbítero da igreja de São Clemente, em Roma, sob nomeação do papa Gregório VII, por volta de 1080, e serviu posteriormente como legado papal na Espanha durante o pontificado de Urbano II, além de ter sido abade da basílica de São Paulo Fora dos Muros. Sua reconhecida santidade pessoal e retidão de vida foram fatores decisivos para sua eleição ao papado.Após a morte de Urbano II, em julho de 1099 — ocorrida apenas duas semanas após a conquista cristã de Jerusalém pela Primeira Cruzada —, o Colégio Cardinalício elegeu Rainerio por unanimidade em 13 de agosto daquele ano, adotando o nome de Pascoal II. Herdava, assim, tanto o imenso prestígio conquistado pelo papado sob seus dois predecessores quanto os problemas ainda não resolvidos que atormentavam a Igreja havia décadas: a persistente existência de antipapas rivais, o conflito continuado com os poderes seculares — especialmente na Alemanha, na França e na Inglaterra — e a necessidade constante de aprofundar a reforma eclesiástica, todos eles entrelaçados pelo tema central da chamada Querela das Investiduras, a disputa pelo controle das nomeações episcopais entre a Igreja e os monarcas europeus.Seu pontificado começou sob auspícios relativamente favoráveis: o próprio imperador Henrique IV, já enfraquecido, retirou seu apoio aos sucessivos antipapas que se seguiram à morte de Clemente III, e Pascoal II conseguiu, através de negociações concluídas nos concílios de Châlon-sur-Marne e Troyes, em 1107, chegar a um acordo satisfatório com o rei Henrique I da Inglaterra e com Santo Anselmo de Cantuária: o monarca renunciaria formalmente ao direito de nomear diretamente os bispos, mas manteria o direito de aprovar previamente os candidatos indicados pela Igreja — fórmula de compromisso que também seria aplicada, com sucesso, em relação à França.Contudo, o conflito com o Sacro Império Romano-Germânico revelou-se muito mais tortuoso e dramático. Após a morte de Henrique IV, seu filho e sucessor, Henrique V, retomou com ainda mais determinação as pretensões imperiais sobre as investiduras episcopais, invadindo a Itália para forçar sua coroação. Em fevereiro de 1111, no chamado Acordo de Sutri, Pascoal II propôs uma solução radical: os bispos alemães renunciariam a todas as suas posses e regalias temporais recebidas do Império, vivendo exclusivamente de recursos eclesiásticos, em troca da renúncia definitiva do imperador ao direito de investidura — proposta que, ao ser lida publicamente durante a cerimônia de coroação, provocou tamanha revolta entre os próprios bispos e nobres alemães, que a consideraram inaceitável, que o próprio Henrique V, sob pressão popular e clerical, ordenou a prisão do papa e de vários cardeais no Monte Mário, mantendo-os detidos até que Pascoal II, sob coação, concordasse em coroá-lo imperador e reconhecer, ao menos temporariamente, seu direito de investidura — capitulação que gerou protestos veementes de bispos e cardeais reformistas ao longo de todo o restante de seu pontificado, e que só seria efetivamente superada, de forma mais equilibrada e duradoura, pela histórica Concordata de Worms, firmada já sob o pontificado de seu sucessor, Calisto II, em 1122.Pascoal II também instituiu formalmente diversas ordens de cavalaria religiosa de grande relevância histórica futura — os Templários, os Cavaleiros Teutônicos e os Hospitalários de São João — e faleceu em Roma, em 21 de janeiro de 1118, em meio a protestos persistentes de cardeais e clérigos reformistas descontentes com as concessões que fora forçado a fazer ao poder imperial.