Papa Pascoal II
Nome Completo
Rainerio di Bieda
Nascimento
1055 - Bled
Falecimento
21/01/1118 - Roma
Papado
1099-1118
Brasão Papal
* O primeiro brasão que se tem evidência foi no ano de 1191 (Papa Celestino III).

Rainerio (Ranieri) di Bieda nasceu perto de Ravena, no norte da Itália, oriundo de família humilde da região da Emília-Romanha. Ainda menino, ingressou em um mosteiro — provavelmente uma casa dependente da reforma vallombrosana, e não Cluny, como tradicionalmente se supôs por muito tempo — dedicando-se desde cedo à vida monástica. Tornou-se cardeal-presbítero da igreja de São Clemente, em Roma, sob nomeação do papa Gregório VII, por volta de 1080, e serviu posteriormente como legado papal na Espanha durante o pontificado de Urbano II, além de ter sido abade da basílica de São Paulo Fora dos Muros. Sua reconhecida santidade pessoal e retidão de vida foram fatores decisivos para sua eleição ao papado.

Após a morte de Urbano II, em julho de 1099 — ocorrida apenas duas semanas após a conquista cristã de Jerusalém pela Primeira Cruzada —, o Colégio Cardinalício elegeu Rainerio por unanimidade em 13 de agosto daquele ano, adotando o nome de Pascoal II. Herdava, assim, tanto o imenso prestígio conquistado pelo papado sob seus dois predecessores quanto os problemas ainda não resolvidos que atormentavam a Igreja havia décadas: a persistente existência de antipapas rivais, o conflito continuado com os poderes seculares — especialmente na Alemanha, na França e na Inglaterra — e a necessidade constante de aprofundar a reforma eclesiástica, todos eles entrelaçados pelo tema central da chamada Querela das Investiduras, a disputa pelo controle das nomeações episcopais entre a Igreja e os monarcas europeus.

Seu pontificado começou sob auspícios relativamente favoráveis: o próprio imperador Henrique IV, já enfraquecido, retirou seu apoio aos sucessivos antipapas que se seguiram à morte de Clemente III, e Pascoal II conseguiu, através de negociações concluídas nos concílios de Châlon-sur-Marne e Troyes, em 1107, chegar a um acordo satisfatório com o rei Henrique I da Inglaterra e com Santo Anselmo de Cantuária: o monarca renunciaria formalmente ao direito de nomear diretamente os bispos, mas manteria o direito de aprovar previamente os candidatos indicados pela Igreja — fórmula de compromisso que também seria aplicada, com sucesso, em relação à França.

Contudo, o conflito com o Sacro Império Romano-Germânico revelou-se muito mais tortuoso e dramático. Após a morte de Henrique IV, seu filho e sucessor, Henrique V, retomou com ainda mais determinação as pretensões imperiais sobre as investiduras episcopais, invadindo a Itália para forçar sua coroação. Em fevereiro de 1111, no chamado Acordo de Sutri, Pascoal II propôs uma solução radical: os bispos alemães renunciariam a todas as suas posses e regalias temporais recebidas do Império, vivendo exclusivamente de recursos eclesiásticos, em troca da renúncia definitiva do imperador ao direito de investidura — proposta que, ao ser lida publicamente durante a cerimônia de coroação, provocou tamanha revolta entre os próprios bispos e nobres alemães, que a consideraram inaceitável, que o próprio Henrique V, sob pressão popular e clerical, ordenou a prisão do papa e de vários cardeais no Monte Mário, mantendo-os detidos até que Pascoal II, sob coação, concordasse em coroá-lo imperador e reconhecer, ao menos temporariamente, seu direito de investidura — capitulação que gerou protestos veementes de bispos e cardeais reformistas ao longo de todo o restante de seu pontificado, e que só seria efetivamente superada, de forma mais equilibrada e duradoura, pela histórica Concordata de Worms, firmada já sob o pontificado de seu sucessor, Calisto II, em 1122.

Pascoal II também instituiu formalmente diversas ordens de cavalaria religiosa de grande relevância histórica futura — os Templários, os Cavaleiros Teutônicos e os Hospitalários de São João — e faleceu em Roma, em 21 de janeiro de 1118, em meio a protestos persistentes de cardeais e clérigos reformistas descontentes com as concessões que fora forçado a fazer ao poder imperial.