Papa Gregório VIII
Nome Completo
Alberto di Morra
Nascimento
1108 - Benevento
Falecimento
17/12/1187 - Pisa
Papado
1187-1187
Brasão Papal
* O primeiro brasão que se tem evidência foi no ano de 1191 (Papa Celestino III).

Alberto di Morra nasceu em Benevento, em 1108, e tornou-se cônego regular da Ordem de Santo Agostinho. Construiu ao longo de décadas uma sólida e longa carreira diplomática a serviço da Santa Sé, culminando em sua nomeação como cardeal-diácono e, posteriormente, Chanceler Apostólico — cargo de altíssima responsabilidade administrativa que ocupou sob diversos pontificados sucessivos, adquirindo profunda experiência nos assuntos internos e externos da Igreja.

Após a morte do papa Urbano III, em Ferrara, em 20 de outubro de 1187, di Morra foi eleito seu sucessor já no dia 21 de outubro (ou, segundo outras fontes, 19 de outubro), adotando o nome de Gregório VIII. Assumia o papado em um dos momentos mais sombrios da história das Cruzadas: poucos meses antes, em julho de 1187, o exército cruzado do Reino de Jerusalém havia sido esmagado pelas forças do sultão Saladino na Batalha de Hattin, desastre militar que abriu caminho para a reconquista muçulmana de Jerusalém, consumada em 2 de outubro daquele mesmo ano — praticamente às vésperas da eleição de Gregório VIII.

Diante dessa catástrofe para a cristandade latina, Gregório VIII agiu com notável rapidez e determinação: apenas oito dias após assumir o pontificado, em 29 de outubro de 1187, promulgou a histórica bula "Audita Tremendi", um dos apelos mais veementes e emocionalmente carregados já feitos por um papa em favor de uma cruzada até aquele momento. O documento interpretava a perda de Jerusalém como um castigo divino pelos pecados da cristandade, convocando os fiéis à penitência espiritual e ao mesmo tempo detalhando, de forma inédita e minuciosa, as recompensas espirituais e temporais — indulgências plenárias, proteção de bens e suspensão de dívidas — que aguardavam aqueles que se engajassem na nova cruzada. Esse apelo circulou amplamente por toda a Europa e viria a inspirar a mobilização da Terceira Cruzada (1189-1192), que reuniria três dos maiores monarcas do continente: o imperador Frederico Barba-Ruiva, o rei Filipe Augusto da França e o rei Ricardo Coração de Leão da Inglaterra — a maior força cruzada já reunida desde a Primeira Cruzada, convocada quase um século antes pelo papa Urbano II.

Consciente de que a rivalidade e as guerras entre potências cristãs comprometiam gravemente qualquer esforço unificado de socorro à Terra Santa, Gregório VIII dedicou os últimos dias de seu breve pontificado a promover a reconciliação política na Europa: buscou aproximar-se do imperador Frederico Barba-Ruiva, encerrando finalmente as tensões herdadas de seus dois antecessores, e empreendeu viagem a Pisa com o objetivo de mediar a paz entre as repúblicas marítimas rivais de Pisa e Gênova, cujas frotas seriam essenciais para o transporte naval da cruzada. No caminho para Pisa, determinou que os restos mortais do antigo antipapa Vítor IV, sepultado em Lucca, fossem removidos de seu túmulo e lançados para fora da igreja — gesto simbólico de reafirmação da legitimidade papal contra o cisma do século anterior.

Contudo, Gregório VIII faleceu em Pisa, vítima de febre, em 17 de dezembro de 1187, apenas cinquenta e sete dias após sua eleição — um dos pontificados mais breves da história —, mas cujo legado, através da bula que convocou a Terceira Cruzada, teve impacto duradouro muito além de sua curta duração.