
Rodrigo de Borja (italianizado como Borgia) nasceu em Xàtiva, no Reino de Valência, em 1º de janeiro de 1431, filho de Jofré Llançol i Escrivà e Isabel de Borja, esta última irmã do futuro papa Calisto III. Formou-se em Direito na Universidade de Bolonha e, com a eleição de seu tio ao papado em 1455, teve sua carreira eclesiástica rapidamente impulsionada: tornou-se bispo, cardeal e vice-chanceler da Igreja ainda jovem, cargo que exerceria continuamente ao longo de nada menos que cinco pontificados sucessivos — Calisto III, Pio II, Paulo II, Sisto IV e Inocêncio VIII —, acumulando ao longo de décadas vasta experiência administrativa.Após a morte de Inocêncio VIII, foi eleito papa em 11 de agosto de 1492, adotando o nome de Alexandre VI.Seu pontificado, um dos mais debatidos e controversos da história da Igreja, é lembrado por dois aspectos centrais e antagônicos. De um lado, sua política externa e diplomática deixou um legado de enorme importância histórica mundial: em 1493, através das chamadas Bulas Alexandrinas — entre elas "Inter Caetera" —, estabeleceu os princípios de divisão das terras recém-descobertas do Novo Mundo entre as coroas de Portugal e Espanha, base jurídica que, no ano seguinte, seria refinada e formalizada pelos próprios reinos ibéricos no Tratado de Tordesilhas (1494), documento que moldaria profundamente a colonização das Américas nos séculos seguintes. Também soube, no plano interno de Roma, restabelecer alguma ordem, fortificando muralhas contra a onda de criminalidade que assolava a cidade.De outro lado, sua vida pessoal e sua conduta como governante temporal dos Estados Pontifícios geraram, já em seu próprio tempo e de forma ainda mais intensa nos séculos seguintes, críticas severas: praticou nepotismo em grau elevado, promovendo membros da família Bórgia a posições de poder e riqueza, e seu filho César Bórgia tornou-se figura central de intrigas políticas e militares na Itália do período — a ponto de servir de inspiração explícita para o pensamento político de Nicolau Maquiavel em "O Príncipe". A historiografia posterior, particularmente a partir do século XIX, consolidou uma imagem fortemente negativa de seu pontificado, amplamente reproduzida na cultura popular até hoje, ainda que parte dessas narrativas — especialmente acusações mais extremas atribuídas a panfletos hostis da época — seja hoje objeto de debate entre historiadores quanto ao seu grau de exagero político-partidário. Faleceu em Roma, em 18 de agosto de 1503, após breve mas grave enfermidade, cuja causa exata — possivelmente malária, segundo hipóteses historiográficas mais aceitas — permanece incerta."