
Giovanni nasceu em Rapagnano, por volta de 955, filho de outro Giovanni Siccone. Antes de ingressar no sacerdócio, levara vida secular comum: fora casado e tivera três filhos, todos os quais, seguindo o exemplo paterno, viriam também a ingressar na vida eclesiástica — João, que se tornaria bispo de Palestrina; Pedro, ordenado diácono; e André, que ocuparia o cargo administrativo de secundicério na Cúria Romana. Tal trajetória pessoal, embora incomum para os padrões posteriores de celibato clerical rigorosamente aplicado, não era rara entre o alto clero da Roma do século X.O contexto histórico de sua eleição reflete a completa instabilidade política que assolava Roma naquele período, conhecido pelos historiadores como o "século de ferro" da Igreja: com a morte do papa Silvestre II, em 12 de maio de 1003, não havia mais em Roma autoridade capaz de conter as ambições da nobreza local. A poderosa facção liderada por João Crescêncio III — filho do patrício Crescêncio II, que fora derrotado e morto pelo imperador Otão III em conflito anterior — retomou o controle político da cidade, e foi justamente sob essa influência direta que Giovanni Sicco foi nomeado e consagrado papa, em 16 de junho de 1003, adotando o nome de João XVII. Para evitar confusão com o antipapa João Filagato, que décadas antes havia adotado o nome de João XVI durante o próprio pontificado de Crescêncio II, optou-se pela numeração XVII, dando continuidade à sequência oficial de papas legítimos.Como os dois pontífices que se seguiriam também deveriam sua elevação à mesma influência do clã Crescêncio, João XVII permaneceu, durante todo seu breve pontificado, sob considerável subordinação política ao patrício que o havia designado — situação que, segundo os cronistas da época, tornava-o pouco mais que um instrumento nas mãos daquela poderosa família aristocrática romana. Sobre suas atividades concretas durante os poucos meses em que ocupou o trono papal, muito pouco chegou até nós através dos registros históricos disponíveis: sabe-se, contudo, que concedeu autorização formal ao missionário Bento (Bruno de Querfurt), que se dirigia à Polônia, para pregar o evangelho entre os povos eslavos ainda pagãos das regiões orientais europeias — gesto que, ainda que modesto diante da brevidade de seu governo, se inseria no esforço mais amplo de expansão missionária da cristandade latina em direção às fronteiras do leste europeu naquele período.João XVII faleceu em Roma, apenas cerca de seis meses após sua eleição, em 6 de novembro de 1003, sendo sepultado na Basílica de São João de Latrão. Foi sucedido por João XVIII.