
Giovanni Pietro Carafa nasceu em 28 de junho de 1476, na região de Avellino, no sul da Itália, pertencente a um ramo da nobre família napolitana Carafa. Recebeu excelente educação em Roma, sob os cuidados de seu tio, o influente cardeal Oliviero Carafa, alcançando tal reputação intelectual que o próprio Erasmo de Roterdã correspondia-se com ele ainda jovem, elogiando seu domínio das três línguas clássicas. Iniciou carreira na Cúria ainda sob Alexandre VI, tornou-se bispo de Chieti e, mais tarde, um dos fundadores, em 1524, da Ordem dos Teatinos, congregação dedicada à reforma do clero e ao combate a abusos eclesiásticos — demonstrando, desde cedo, o rigor moral que marcaria toda sua trajetória.Elevado a cardeal por Paulo III em 1536, Carafa foi peça fundamental na criação da Inquisição Romana, ou Santo Ofício, instituída em 1542 justamente por sua insistente defesa junto ao papa da necessidade de um tribunal centralizado para combater a difusão de ideias protestantes na Itália — instituição que ele próprio dirigiria com mão firme nas décadas seguintes. Após a morte de Marcelo II, cujo pontificado durara apenas vinte e dois dias, Carafa foi eleito papa em 23 de maio de 1555, com o apoio do cardeal Alessandro Farnese e apesar da forte oposição do imperador Carlos V, que temia — corretamente — sua conhecida hostilidade à influência espanhola e habsbúrgica na Itália. Adotou o nome de Paulo IV.Seu pontificado foi um dos mais severos e controversos do século XVI. Já octogenário ao ser eleito, Paulo IV conduziu a Inquisição Romana com extremo rigor, publicando em 1559 o primeiro Índice de Livros Proibidos, ferramenta de censura que moldaria a produção intelectual católica por séculos.. Faleceu em Roma, em 18 de agosto de 1559, aos oitenta e três anos.