
Giuliano della Rovere nasceu em Albisola, perto de Savona, na Ligúria, em 5 de dezembro de 1443, sobrinho do futuro papa Sisto IV. Recebeu educação junto aos frades franciscanos e completou formação em ciências no convento de La Pérouse. Com a eleição de seu tio ao papado, em 1471, teve carreira meteórica: nomeado bispo de Carpentras e, no mesmo ano, elevado a cardeal com o título de São Pedro em Vínculos, acumulando ao longo dos anos seguintes o arcebispado de Avinhão e outras oito dioceses, além de atuar como legado papal na França por quatro anos. Sua influência permaneceu forte durante o pontificado seguinte, o de Inocêncio VIII, com quem mantinha estreita amizade — mas entrou em rivalidade profunda e duradoura com o cardeal Rodrigo Bórgia, que viria a se tornar o papa Alexandre VI em 1492, derrotando della Rovere no conclave daquele ano.Durante os onze anos do pontificado de Alexandre VI, della Rovere manteve-se, em grande parte, afastado de Roma, chegando a refugiar-se na França, onde incitou o rei Carlos VIII a invadir o Reino de Nápoles — episódio que evidencia a intensidade de sua oposição política aos Bórgia. Com a morte de Alexandre VI, em 1503, apoiou a breve eleição do cardeal Piccolomini como Pio III; mas, com o falecimento deste após apenas vinte e seis dias de pontificado, della Rovere usou toda sua habilidade diplomática — incluindo uma aliança estratégica com César Bórgia — para ser eleito papa por voto unânime, em 1º de novembro de 1503, adotando o nome de Júlio II.Conhecido na história como o ""Papa Guerreiro"", Júlio II rompeu com a tradição de manter os pontífices afastados do comando militar direto, liderando pessoalmente campanhas para expulsar a família Bórgia dos Estados Pontifícios e recuperar territórios papais tomados por senhores locais, chegando a anexar regiões como Parma, Ferrara e Módena. Modernizou o aparato militar papal, formalizando a Guarda Suíça, instituição que protege o papa até os dias de hoje. No plano diplomático internacional, formou em 1508 a Liga de Cambrai, aliança com a França, o Sacro Império e Aragão contra Veneza, e, em 1511, organizou a Liga Santa para expulsar as forças francesas do norte da Itália. Convocou ainda o Quinto Concílio de Latrão (1512), o maior concílio ecumênico realizado até então na Idade Média, que tratou da reforma do clero e rejeitou formalmente o cismático Concílio de Pisa.Seu legado mais duradouro, contudo, está indissociavelmente ligado às artes: em 18 de abril de 1506, lançou a pedra fundamental da nova Basílica de São Pedro, projeto arquitetônico monumental confiado a Donato Bramante que redefiniria para sempre o coração espiritual da cristandade católica. Foi mecenas pessoal de Rafael, a quem encomendou a decoração das salas vaticanas (os célebres "Quartos de Rafael"), e de Michelangelo, a quem confiou tanto seu próprio mausoléu — do qual resultou a célebre escultura do Moisés — quanto a pintura do teto da Capela Sistina, uma das maiores obras-primas da arte ocidental. Também confirmou, em 1506, o Tratado de Tordesilhas junto à coroa portuguesa. Sua vida pessoal, como a de outros prelados renascentistas. Faleceu em Roma, em 21 de fevereiro de 1513, sendo sepultado na igreja de São Pedro em Vínculos, junto ao túmulo que ele próprio encomendara a Michelangelo.