Papa Eugênio III
Nome Completo
Píer Bernardo Paganelli
Nascimento
25/11/1085 - Pisa
Falecimento
08/07/1153 - Tivoli
Papado
1145-1153
Brasão Papal
* O primeiro brasão que se tem evidência foi no ano de 1191 (Papa Celestino III).

Bernardo Paganelli (também referido como Bernardo de Pisa) nasceu nos arredores de Pisa, filho de um homem chamado Godio; embora tradicionalmente associado à família nobre Paganelli de Montemagno da aristocracia pisana, essa origem nobre é hoje contestada por historiadores, que apontam indícios de uma proveniência mais humilde. Tornou-se cônego do cabildo da catedral de Pisa em 1106 e foi ordenado sacerdote pelo papa Inocêncio II, então residente naquela cidade, entre 1134 e 1137. Profundamente impressionado pela santidade de São Bernardo de Claraval, a quem conheceu durante um concílio em Pisa, ingressou na Ordem Cisterciense em 1138, na abadia de Claraval, tornando-se discípulo dileto do grande mestre cisterciense por cerca de dez anos de intensa vida monástica. Em 1140, Bernardo enviou-o de volta à Itália para dirigir a reforma da abadia de San Anastasio alle Tre Fontane, próxima a Roma, da qual se tornou primeiro abade sob nomeação do papa Inocêncio II.

Após a morte do papa Lúcio II, em 1145, Paganelli foi eleito papa em 15 de fevereiro daquele ano, sendo consagrado em 18 de fevereiro. Adotou o nome de Eugênio III, tornando-se o primeiro papa da história proveniente da Ordem Cisterciense. Ao receber a notícia da elevação de seu discípulo ao papado, São Bernardo de Claraval reagiu com espanto e alegria, escrevendo-lhe carta paternal na qual expressava o desejo de ver a Igreja de Deus restaurada ao espírito dos tempos apostólicos.

Devido ao conflito herdado de seu antecessor com o Senado Romano, que exigia a renúncia papal ao poder temporal sobre a cidade — movimento liderado pelo agitador religioso e político Arnaldo de Bréscia —, Eugênio III viu-se forçado a abandonar Roma repetidas vezes ao longo de seu pontificado, refugiando-se em Viterbo e, posteriormente, na França. Foi justamente a partir de Viterbo, em dezembro de 1145, que emitiu a bula "Quantum Praedecessores", convocando a Segunda Cruzada em resposta à recente queda do Condado de Edessa para forças muçulmanas — notícia que causara profunda consternação na cristandade ocidental. Encarregou seu antigo mestre, São Bernardo de Claraval, da pregação dessa cruzada, missão que este cumpriu com extraordinário sucesso retórico, obtendo o apoio entusiasmado do imperador germânico Conrado III e do rei Luís VII da França.

Contudo, a Segunda Cruzada terminou em fracasso militar, o que abalou profundamente a confiança da cristandade tanto no próprio empreendimento quanto na figura carismática de São Bernardo, que chegou a ser publicamente acusado de falso profeta — golpe que também refletiu negativamente sobre a autoridade e o prestígio do próprio pontificado de Eugênio III. Ainda assim, seu governo teve realizações duradouras: constituiu formalmente o Sagrado Colégio Cardinalício em bases mais organizadas, iniciou a construção do Palácio Pontifício, concedeu privilégios à Ordem dos Cavaleiros de São João de Jerusalém (futura Ordem de Malta) e aos Templários — a quem autorizou o uso permanente da cruz vermelha sobre o manto branco —, e negociou o Tratado de Constança (1153) com Frederico Barba-Ruiva, no qual este se comprometeu a restaurar a ordem nos Estados Pontifícios em troca de futura coroação imperial.

Eugênio III faleceu em Tívoli, em 8 de julho de 1153, antes que Barba-Ruiva pudesse chegar a Roma para receber a coroa prometida; jamais deixou de ser, em espírito, o humilde monge cisterciense que fora antes de sua elevação ao papado. Foi beatificado, sendo hoje venerado como Beato Eugênio III.