
Angelo Correr nasceu em Veneza, por volta de 13 de maio de 1326, oriundo de família da nobreza veneziana. Seguiu carreira eclesiástica desde jovem, tornando-se bispo de Castello em 1380 e, dez anos depois, Patriarca Latino de Constantinopla — título honorífico que manteve por longo período. Durante o pontificado de Inocêncio VII, atuou como secretário apostólico no legado de Ancona, e foi elevado a cardeal com o título de São Marcos em 1405.Após a morte de Inocêncio VII, em 1406, os cardeais da obediência romana, movidos por sua profunda piedade pessoal e pelo sério e reconhecido desejo de encerrar definitivamente o Grande Cisma do Ocidente, elegeram Correr por unanimidade em 30 de novembro daquele ano, já com cerca de oitenta anos de idade. Adotou o nome de Gregório XII, sendo coroado em 19 de dezembro de 1406. Antes mesmo de sua eleição, cada cardeal presente havia jurado que, para pôr fim ao cisma, renunciaria voluntariamente ao papado caso fosse eleito, desde que seu rival na obediência de Avinhão — então o antipapa Benedito XIII — fizesse o mesmo compromisso recíproco. Gregório XII repetiu solenemente esse juramento após sua própria eleição, demonstrando, ao menos inicialmente, sincera disposição de cumpri-lo: em dezembro de 1406, notificou formalmente Benedito XIII de sua eleição e das condições sob as quais ela ocorrera, reiterando sua disposição de abdicar caso o rival fizesse o mesmo.Após longas e tortuosas negociações, os dois papas rivais concordaram em se encontrar pessoalmente na cidade italiana de Savona para formalizar a dupla renúncia — encontro que, porém, jamais se concretizou de fato, aumentando profundamente a desconfiança mútua entre ambos e agravando ainda mais a fratura da cristandade latina, já então também dividida politicamente, com diferentes reinos apoiando diferentes pretendentes ao trono papal. Diante desse impasse insustentável, cardeais de ambas as obediências, descontentes com a intransigência de seus respectivos papas, reuniram-se em 1409 no Concílio de Pisa, que declarou depostos tanto Gregório XII quanto Benedito XIII por cisma, elegendo em seu lugar um terceiro papa, Alexandre V — decisão que, paradoxalmente, piorou ainda mais a crise, já que nenhum dos dois papas anteriores efetivamente renunciara, resultando agora em três pontífices simultâneos reivindicando legitimidade.Gregório XII reagiu com veemência a essa tentativa de destituição, excomungando os cardeais rebeldes e refugiando-se em Rimini. Em julho de 1409, declarou publicamente que apenas os papas sediados em Roma desde Urbano VI, incluindo ele próprio, possuíam legitimidade — rejeitando tanto Benedito XIII quanto o recém-eleito Alexandre V (e, posteriormente, seu sucessor João XXIII, eleito pelos cardeais de Pisa). Somente o Concílio de Constança (1414-1418), convocado com apoio decisivo do imperador Segismundo, conseguiu finalmente resolver a crise: na décima quarta sessão, realizada em 4 de julho de 1415, o próprio Gregório XII, através de seu procurador Carlo Malatesta, apresentou formalmente sua renúncia ao concílio — ato que, ao contrário da deposição forçada imposta aos outros dois pretendentes rivais, foi voluntário e dignamente reconhecido pela assembleia conciliar, que em reconhecimento à sua conduta o nomeou bispo de Porto e legado perpétuo em Ancona. Gregório XII retirou-se então da vida pública, assinando sua última carta simplesmente como "Ângelo, Cardeal e Bispo". Faleceu em Recanati, em 18 de outubro de 1417, poucos meses antes da eleição de Martinho V viesse finalmente a encerrar, de forma unificada e definitiva, os quarenta anos do Grande Cisma do Ocidente.