
Giovanni Fasano nasceu em Roma, filho de um sacerdote romano (identificado nas fontes como Leão ou Ursus, conforme diferentes historiadores). Sua eleição ao papado, ocorrida em 25 de dezembro de 1003, deveu-se em grande medida à influência e ao poder do clã aristocrático dos Crescêncios, que dominava a política romana daquele período conturbado, sucedendo ao breve pontificado de João XVII, morto poucos meses após sua própria eleição.Esse período foi marcado por contínuos conflitos externos entre o imperador otoniano Henrique II e Arduíno de Ivrea, que reivindicara o trono do Reino da Itália em 1002, após a morte do imperador Otão III — disputa que colocava a instável Roma papal em posição delicada entre facções rivais que se disputavam a influência sobre a Igreja e sobre a península italiana.Apesar dessas limitações ao seu poder temporal, João XVIII conduziu pontificado de considerável atividade pastoral e diplomática ao longo de seus cinco anos e meio de governo: instituiu formalmente o bispado de Bamberg, na Baviera, região com a qual manteve relações estreitas, cultivando amizade com o rei Henrique II da Alemanha e sua esposa, a rainha Cunegundes. Realizou diversos sínodos voltados à disciplina do clero e à busca da paz religiosa nos territórios sob influência da Igreja Romana, e dedicou-se com empenho a promover a difusão do cristianismo entre povos ainda pagãos nas fronteiras da cristandade europeia. Canonizou também os cinco mártires da Polônia e São Marcial de Limoges, gestos que reforçaram os laços entre Roma e as regiões periféricas da Europa cristã em expansão.Cansado, segundo os relatos históricos, da intensa atividade e das pressões constantes de seu pontificado — e talvez também buscando maior independência espiritual em relação ao controle exercido pela poderosa família Crescêncio, João XVIII tomou a decisão incomum, para um papa medieval, de abdicar voluntariamente ao cargo, em julho de 1009.Segundo o "Liber Pontificalis", retirou-se para o mosteiro de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, onde viveu seus últimos dias em vida monástica, falecendo pouco depois, em 31 de julho daquele mesmo ano. Foi, notavelmente, o último papa da história a manter seu próprio nome de batismo ao assumir o pontificado, prática que só voltaria a ser adotada, séculos mais tarde, por Marcelo II em 1555. Foi sucedido por Sérgio IV.